“O Sétimo Selo”

Saí da leitura de “O Sétimo Selo”, último romance de José rodrigues dos Santos, munida com duas certezas: O escritor de “A Fórmula de Deus”,  tem um longo e bem sucedido caminho de criatividade a percorrer, situando-se entre aqueles escritores que foram aguilhoados pela pontada do inconformismo,  da denúncia, da pesquisa e da perquirição.

A segunda certeza, eu a partilho com o próprio José rodrigues dos Santos. O futuro da humanidade, ou, como eu gosto de dizer aos meus alunos de jornalismo, o futuro dos seres de carbono será sombrio.

“O Sétimo Selo” exibe o meticuloso trabalho do jornalista José Rodrigues dos Santos. O traço do escritor é leve, muitas vezes quase coloquial, repetindo-se aqui o exercício de “A Fórmula de Deus”, onde o autor traz para a linguagem comum, os grandes dilemas da ciência, das religiões, do esoterismo e das origens da vida.

Nos reencontramos com Tomás Noronha, que era também o personagem principal de “A Fórmula de Deus”, que na sua argúcia de criptoanalista, desvenda logo uma mensagem codificada, e, sem o saber, coloca os gangsters das indústrias petrolíferas no encalço dos cientistas que trabalham na busca da descoberta de uma fonte de energia alternativa que venha substituir o ouro negro.

José Rodrigues não perde tempo com os detalhes do trabalho criptoanalítico. De pronto, envolve o leitor nas intrincadas malhas da indústria petrolífera mundial, mostrando que, seja pela via do ganancioso capitalismo neoliberal, seja pela via das políticas desenvolvimentistas dos vários países do mundo, nosso futuro está engessado pelo sustentáculo desse modelo energético de sustentação da economia, ou seja, o uso do petróleo como energia fundamental.

Alimentado por laboriosa pesquisa documental, e com leves pinceladas de uma escrita exata, substantiva, o autor nos mostra a verdade que a grande imprensa sequer ousa tocar. Na maioria dos países produtores/exportadores de petróleo, a produção alcançou um pico, o que significa dizer que caminha inexoravelmente para o esgotamento.

O trabalho de perquirição de José Rodrigues vai mais longe. Nos apresenta o dilema para o qual nos empurra o aquecimento global, claramente forjado pela ação humana. E crava diante de nós, perguntas simples, que só têm merecido a indiferença da política e da economia mundial, e mesmo a indiferença da responsabilidade pessoal de cada um, obscurecida pela busca do consumo e do conforto fácil. Quem vai pagar a conta do aquecimento global? Para onde nos empurrará o planeta, em seu quente desequilíbrio?

O tema da velhice humana, é mais uma linha aguda e sombria no romance de José Rodrigues. Um ícone do próprio envelhecimento da humanidade, presa num gargalo  irracional, a cultivar seus dogmas, a endeusar seus carros de luxo, indiferente ao safanão, à parada breve, numa esquina qualquer de um mundo que tende a descambar, irremediavelmente.

O Sétimo Selo

José Rodrigues dos Santos

Gradiva, 2007.

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