Uma Carta para Michel Temer

Exmo Sr Vice presidente da República.

 

Fiquei abismada com o conteúdo da última peça que veio da sua lavra, como uma das narrativas dos recentes episódios que engolfam o país numa das suas mais difíceis crises, tão grave quanto àquela que culminou com o suicídio de Getúlio Vargas, ou aquela dos idos da década de sessenta do século XX, culminando com 25 anos de Ditadura Militar.

Quantas estórias existirão dentro da história? E, mesmo antes de a história descer seu manto de passado sobre os acontecimentos, com quantas versões eles podem ser narrados?

Tenho pensado muito sobre essas questões, ao contemplar o cenário vivido pelo Brasil de hoje, o qual agravou-se sobremaneira após as últimas eleições presidenciais de 2014, que reconduziram a presidente Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, resultado que colocou os diversos atores políticos em lados opostos.

Doze meses passados do início desse segundo mandato, o país vive de fato uma guerra que ora amaina, ora recrudesce. Uma guerra que se dá no plano das ideias e que evolui, envolvendo não apenas o parlamento e o poder executivo, mas agora, com maior ênfase, avança para o plano jurídico-constitucional.

O cenário bélico, com o apoio maciço da mídia comercial privada, organiza os argumentos principais com os quais espera envolver e angariar o apoio popular: Do lado dos segmentos de oposição, apoiados pela mídia e por parte significativa do braço jurídico do país, difunde-se a tese de desqualificação do partido dos Trabalhadores, acusado de ser o protagonista do “maior escândalo de corrupção já visto na história brasileira”, portanto inapto para gerir os destinos da nação.

A hora é difícil, e eis que o sr vice presidente lega à história, um contributo rancoroso, virulento, um coquetel montado talvez, sob o beneplácito das forças que empurram o governo eleito pelo voto popular à falência.

Sr Vice, porque ainda se mantém no cargo, numa posição que pode ser cômoda para si, mas é profundamente incômoda para a nação brasileira, talvez a sua carta tenha o propósito de lançar uma última acha à fogueira das insanidades, as quais marcam a situação vergonhosa a que está submetido o Congresso Nacional.

O contributo que o sr deixa para a história recente do Brasil, não é pelo engrandecimento da nação. A sua carta, se posso dizer, tocada pela profunda emoção que experimento, é mais uma das trilhas sonoras de um congresso que enterrou a ética, a defesa da constituição e o voto popular.

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