O Jornalismo Comercial quer Audiência, mas não se preocupa com Ela

Essa é a conclusão a que chego nesta semana em que a operação midiática, bombardeando sua audiência com fatos e boatos sobre a Lava Jato, alcança picos impressionantes.

Hoje, com a expansão das redes sociais, já não podemos falar em leitores de jornal, mas antes, em audiência. Em minhas aulas de jornalismo, eu costumo dizer que esta audiência receptora foi reabilitada, tem uma janela de onde fala, protesta, reage, critica.

Há que se avaliar porém, uma hipótese perturbadora. A mídia comercial busca essa audiência, mas não se importa minimamente com a sua reação, suas críticas, seus protestos.

Os portões da comunicação foram arrombados. O círculo redacional não é mais um ambiente circunscrito aos jornalistas. Agora, de qualquer lugar, a audiência, através de menções ou hashtags, implica, critica, reclama por uma retificação, mas recebe em troca, o monopólio da pauta única, dos boatos divulgados pela manhã, como pautas bomba, para serem desmentidos à tarde, em pequenos espaços de retificação.

Onde será que vai parar a avalanche de mêmis,de críticas e repercussões, dirigidas às redações e portais? Que tamanho terá a lixeira virtual da mídia comercial privada?

O profundo divórcio entre jornalismo e pluralidade amplia-se, a audiência das grandes redes televisivas despenca vertiginosamente, entretanto o modelo da pauta única prossegue, alastrando boatos, evidenciando circunstâncias mal apuradas, ignorando claramente outros fatos envolvendo poíticos ou sonegações milionárias de empresários, em clara sintonia com uma oposição irresponsável, em estreito vínculo com os velhos ditames de uma economia neoliberal.

Rasgaram-se os manuais de redação, cospe-se no código de ética dos jornalistas. Retificações e desmentidos enchem o dia a dia dos tele jornais e dos portais de notícias online, enxovalham-se personalidades e carreiras, e tudo se faz com o sorriso nos lábios dos ancoras de tevê.

O modus operandi já se instituiu como a prática corrente no processo de produção e distribuição das notícias. Uma revista de circulação nacional lança a matéria bomba do início da semana, que depois é repercutida até as últimas consequências em toda a cadeia. “A notícia caiu como uma bomba”, “o governo está assustado”, “, “Dilma está muuuuito preocupada”, essas são algumas das frases de efeito ecoadas e repetidas ao longo da semana.

Há mais. Fatos que não são notícia ganham a centralidade da cobertura no horário nobre, veja-se por exemplo o caso dos pedalinhos. A pauta única, a música de uma nota só, é empurrada sem qualquer artifício, pelos escoadouros da comunicação.

E os gritos da audiência? Suspeito que nas redações, eles não merecem senão, o perpétuo o encolher de ombros, o ricto de desprezo, como se esta não passasse de um primo do mosquito transmissor do Zica vírus, que é preciso ignorar e combater.

A audiência não tem mídia, senão o alerta apressado nas redes sociais, que cai na vala comum da indiferença. A mídia é na verdade, o braço mais estratégico de um modelo elitista de poder, que busca solapara frágil democracia, para reinstalar a política do arroxo, do enfraquecimento dos movimentos sindicais e sociais, uma economia privatista sintonizada com os ditames do capital internacional, que internamente, é conformado por um conjunto de empresas que sonegam, corrompem e difamam, inclusive, parcela importante das empresas de mídia.

Como diria Bakhtin, toda mensagem tem um claro endereçamento. . As mensagens midiáticas de agora, em sua alta circulação e repetição, a curto prazo, pretendem alimentar as manifestações pró impeachment marcadas para o dia 13 de março. A longo prazo, querem criminalizar o partido que ainda é o favorito nas eleições de 2018.

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