Todas Somos #KalineLima

No mundo todo, em menor ou maior incidência, mulheres ainda correm perigo em pleno século XXI. No Brasil, ainda que a legislação esteja cada vez mais punitiva, todos os dias mulheres são mortas por um ente da sua família, em geral, pelo marido ou companheiro, são estupradas por desconhecidos, que muitas vezes acabam por matar a vítima. Sofrem assédio no trabalho, no consultório médico, num simples passeio em final de tarde.

E por que será que persiste e se alastra essa violência contra a mulher? A cultura machista, entranhada na sociedade, difundida pela cultura de massas, telenovela, produções cinematográficas, jornalismo sensacionalista, música, difundem essas ideias bizarras de que a mulher merece esse tratamento de subjugação, de violência, de assédio e escárnio.

Na Paraíba, a cultura do ódio e do desprezo pela mulher,muitas vezes extrapola a cena doméstica ou mesmo os terríveis episódios de rua, para ser ecoada alto e bom som, nos microfones e câmeras das emissoras de tv locais. Um fato dessa natureza vem ocorrendo esta semana, no programa televisivo do apresentador Siqueira Júnior, da tv Arapuan.

O apresentador se utiliza do linguajar mais chulo e desrespeitoso, para desqualificar  a cantora rapper, Kaline Lima, que ousou fazer críticas a um seu posicionamento misógino, sobre mulheres que não pintam as unhas dos pés, as quais o apresentador considera como “sebosas”.

Ameaças, insultos e chingamentos preconceituosos vêm sendo despejados conta a cantora alto e bom som, numa emissora que por dispor de concessão pública, deveria zelar pela qualidade do seu jornalismo, dos seus programas de entretenimento, da sua capacidade de formar uma opinião pública inteligente, qualificada e isenta de preconceitos.

O apresentador rosna suas ameaças e insultos porque sabe que não será punido. Sabe que uma onda de proteção estende-se sobre a sua fala odiosa, onda protetora que começa na própria tv, e muitas vezes alastra-se pelo resto da sociedade, e, o que é pior, muitas vezes na própria justiça, que não reconhece a venalidade desse comportamento vil.

E quem é Kaline Lima, que está sendo chamada de gorda, feia, mal amada, revoltada, além de outros insultos escabrosos, ao vivo pela tv Arapuan, nas manhãs de João Pessoa?

Kaline Lima é jornalista formada pela UFPB; é casada, mãe, ativista na cena cultural pessoense, envolvida com as comunidades da periferia, artista de sucesso, na sua banda musical “Cinta Liga”.

É para esta mulher que Siqueira Júnior despeja seu ódio visceral, apresentando ao vivo e a cores, o pior do seu espírito, formado num caldo de cultura venenoso.

E, das últimas linhas desta coluna, só me resta conclamar às mulheres e homens que desejam uma sociedade esclarecida: desliguemos a tv Arapuan. Denunciemos na própria tv, a fala tosca de Siqueira Júnior. Denunciemos ao Ministério Público,o assédio moral ao qual está sendo submetida Kaline Lima, por ter ousado criticar o discurso misóginoecoado em uma concessão pública de tv.

(Este post será publicado manhã, em minha coluna no jornal #AUnião

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