Debate ou Debacle: O Partido da Rede Globo e seu Inimigo Político

O partido da Rede Globo sairá dessas eleições sem um candidato explícito, mas é certo que terá combatido com veemência e beligerância nunca vistas, o seu maior inimigo político: o Partido dos Trabalhadores e a figura do ex-presidente Lula, encarcerado em Curitiba.

A campanha eleitoral iniciou-se com o partido da Globo apostando suas fichas na candidatura Alckmin, e depois, com menos entusiasmo, na candidatura Amoêdo. As duas concorrentes tiveram desempenhos pífios, somente amealhando índices mais expressivos no quesito rejeição. Sem uma candidatura para chamar de sua, o Partido da Globo foi fazendo seu jornalismo factual e previsível, até que, no dia 17 de agosto, definiu-se por fim, a validação da candidatura de Fernando Haddad, em substituição ao nome do ex-presidente Lula.

Os Institutos iniciaram o trabalho de perquirição da vontade do eleitor, e, para desespero do partido global, Haddad apresentou um assombroso desempenho rumo ao segundo turno. Era necessário acionar a maquinaria de destruição, era imprescindível torcer o pêndulo da política, invocar as hashtags do medo, pedir ação ao judiciário, conjurar a célebre fórmula: “com o Supremo, com tudo”.

O partido da Globo acha-se agora em pleno combate. A artilharia vai desde a famigerada entrevista do JN, aos programas dioturnos da Globo News, pondo seus âncoras e comentaristas a serviço daquilo que chamam de debate. Na verdade, trata-se de um debate monotemático, com uma só voz: o país caminhará ou para a extrema esquerda radical, ou para a extrema direita. O antipetismo do Partido da Globo, atribuído ao povo, como se a rede televisiva nada tivesse a ver com isso, o antipetismo é rechaçado e mesmo celebrado, a cada pesquisa que deságua, de dois em dois dias, nas falas sorridentes dos comentaristas, nos seus gráficos e artes animadas.

O judiciário também vem colaborando. O juiz Sérgio Moro, há seis dias das eleições, empacotou para o trabalho da mídia televisiva, trechos da delação de Antonio Pallocci. Do Supremo veio a súmula do seu novo presidente: Lula não falará à imprensa nem sobre política, nem sobre coisa alguma.

Nas redes sociais, território aberto a toda sorte de narrativas, pululam fakes News envenenando a todos. Um cenário tão desolador, que qualquer prognóstico é temeroso. A primeira conclusão acertada que se tem, é a de que o país continua sem mídia, tampouco consegue engendrar uma opinião pública consistente, capaz de forjar um pensamento reflexivo e transformador sobre tudo o que estamos vivendo.

A conclusão segunda e mais óbvia é a de que a guerra contra o inimigo político da rede Globo somente se acirrará nas próximas horas. As elites, a mídia brasileira, poderão suportar e fazer pacto com o “inominável”. Mas lutarão pesado para que o PT não regresse ao poder. O que a imprensa faz, nesses dias tenebrosos, é jornalismo publicista, campanha política de combate contra um partido e o seu líder de massas. 0A imprensa brasileira, com o judiciário, com o Supremo, nos empurra rumo à uma debacle de consequências imprevisíveis.

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