Latitudes: Aqui vou eu!

Chegou como um presente de natal antecipado, e já nasceu sob o signo da revolução. Revolução no formato, revolução no pequeno-grande agrupamento que congregou, até mesmo revolução arquitetada do lugar de onde partiu.

Latitude foi mesmo gestada como um ato de ousadia. Ao modo de apanhar pássaros à mão, com a firmeza que lhe é própria, a escritora Maria Valéria Resende chamou os editores e disse: Há que se publicar o que está fora do eixo, literatura brasileira feita à mão livre, sem os ditames do mercado, histórias tecidas na liberdade de se pensar uma literatura de anônimos, compartilhada na toca do pastel, ou mesmo em oficinas literárias organizadas de modo improvisado, em feiras solidárias.

Assim nasceu “Latitudes”, a coleção organizada por Maria Valéria Resende, chancelada pela Editora Monbak de São Paulo, distribuída em modo digital, pelas grandes distribuidoras: Apple, Googleplay, amazon, Livraria Cultura, entre outras.

Inauguram o projeto, cinco escritores nordestinos, eu entre eles. Ronaldo Monte colaborou com “Paixão Insone”, Dora Limeira escreveu “O Beijo de Deus”, Roberto Menezes entregou o seu “Palavras que Devoram Lágrimas”, Geraldo Maciel (in memoriam), contou-nos que “Aqui as noites são mais Longas”. Os meus contos vieram em forma de alerta, quem sabe um poema gritado sob a quilha da brisa do rio, “Já não Há golfinhos no Tejo”.

Já devem ter compreendido, os livros já nasceram sem a interface do papel. Caíram no oceano da cibervia, e sabe-se por quantas mãos já andam a ser palmilhados… Livros digitais, e pensam que não dá o mesmo frio na barriga, a mesma alegria desvairada, quando ficamos sabendo da publicação, dos protocolos de compra, da correria louca em busca do ipad, do kindle, para baixar sua coleção?

Baixei meus cinco livros entre o sábado e o domingo. Deliciei-me ao folhear as obras, e, alegria das alegrias, ler em minha linha braille, os primeiros contos, constatar o primor e a qualidade das publicações, o zelo com que “Latitudes” foi tecida.

Estou feliz. Penso no meu pequeno livro encapsulado em bits e bits, me lembro do conto “A biblioteca de Titã”, conto que eu escrevera num dos sábados do clube do conto da Paraíba, e constato: Todos os contos que estão ali, foram colhidos nessa faina de preparação para o sábado, o clube do conto reunido em alguma esquina improvável, em algum café, na toca do pastel, compartilhando em ânsias, alegrias e silêncios, a escritura de cada um.

“Latitudes” nasce pois no âmago da revolução tecnológica, mas foi toda tecida desse gesto primordial do escritor, de arrancar, do oceano do si mesmo, as histórias que conta.

O Gesto Universal 2

O voto do ministro Celso de Melo, tendo durado duas horas e quinze minutos, foi ainda mais rápido do que a atualização do #iOS 7. No Supremo, as fórmulas eram as jurídicas, ainda que se falasse do caos e da pressão das multidões. Na virtualidade, multidões e multidões apascentadas, apavoradas, estressadas, logavam-se no site da #Apple para atualizar seus dispositivos. Uma, duas, três, quatro tentativas até conseguir! Muito mais tempo que o voto do ministro, lido pausada e claramente, decidindo pelo acolhimento dos embargos infringentes. As novidades na atualização do aplicativo #Apple são muitas. Nova paleta de cores, um belo visual em todos os aplicativos, facilidades e facilidades com simples arrastar de dedo. No Supremo, o vozear da mídia tenta interpretar o último round desse que é o maior processo julgado na atualidade. Gestos universais, aqui e lá, lavram na cultura, os hábitos desse nosso tempo.